Tenho saudades de quando podia pintar o céu da cor que quisesse numa folha de papel.Tenho saudades de, se me apetecesse, o sol podia ser azul e o céu amarelo...
Que mal tinha?
-Nenhum.
Quando crescemos até nos veêm dizer que o mar é incolor - Por favor --'
Poupem-me às ciências, poupem-me à destruição dos sonhos e crenças de criança, poupem-me àquilo que não dá o doce e ténue sabor básico à vida, poupem-me ao que destrói a infância ou às fitas cinematográficas que são as nossas recordações desses tempos tão tão puros e tragam-me de novo a alegria de agarrar um peluche e fazer-lhe uma festa de anos hoje e amanhã também!
Só para vos dar um exemplo de que tudo muda, até as minhas calças preferidas (as amarelas) já são bejes. (Fiquei mesmo chateada --')Tenho saudades de não me preocupar se ficamos melhor com maquilhagem ou ao natural. Tenho saudades de não me importar se o cabelo esticado era melhor para aquela ou outra qualquer ocasião.
É disso mesmo, eu tenho saudades de não pensar nas coisas, tenho saudades de as viver. Hoje em dia já não se vive sem se pensar, já não se age sem planejar (supostamente).
Dantes, se me apetecesse pegava nos marcadores e desenhava .. ou também podiam ser aquarelas. Podia ficar horas a desenhar nada que ia dar de certo alguma coisa no final.
Hoje nem desenhar de livre vontade posso, tenho de pensar primeiro que há coisas prioritárias --'
Haverá algo mais prioritário que os principios básicos das coisas mais simples da vida que nos dão o maior prazer?
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