Rraaaugh - nhock nhock nhock - Nhammii!!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
You can call me, I’ll be right there .. L.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Adeus.
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chegapara afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Poema de: Eugénio de Andrade
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Detesto tudo aquilo que detesto em ti.
Detesto aquilo que ésE detesto que não tenhas passado de um sonho
Detesto o teu sorriso e o teu olhar
E detesto tudo aquilo que escondem
Detesto tudo aquilo em que me fizeste acreditar
E tudo aquilo em que te estás a tornar
Detesto quando chamo o teu nome e tu não me ouves
Detesto a solidão que em mim se esconde
Detesto as feridas que tenho
e que não mais saram
Detesto as esperanças que tive
E detesto saber que pus quem era de lado por quem já não és
e que talvez nunca tenhas sido
Detesto ainda mais saber que tudo desapareceu
Em menos de um fósforo
Detesto recordar os bons momentos
E detesto que qualquer coisa te traga ao meu pensamento
Detesto quando passas e eu fico a olhar
Detesto não o conseguir evitar!
Detesto quando bloqueio a pensar
Detesto saber que podia ter sido diferente
Detesto saber que podias ter marcado a diferença
Detesto saber que não quiseste
Detesto saber que tive de me sujeitar
Detesto aperceber-me vezes sem conta que preferiste ser vulgar
Detesto todas as lágrimas que ainda me fazes chorar
Detesto os momentos em que me fizeste rir
Detesto tudo aquilo em que me fizeste reflectir
Detesto o modo como me irritas e me tiras do sério
Detesto não conseguir desvendar este mistério
Detesto acordar e ainda te querer abraçar
Detesto não conseguir estar sem pensar em ti um único segundo
Detesto ter-te feito o meu mundo
Detesto ainda te querer
Detesto ter depositado toda a minha força em ti
Detesto que te tenhas ido embora do dia para a noite
Detesto que tenhas fugido sem me ter dado uma última opurtunidade
E detesto ter ficado à espera dela
Detesto estar presa aqui neste sítio
Detesto-te tanto
Detesto-te de mais
E detesto saber que não te consigo detestar.
Detesto quando mentes
Detesto todas as ilusões que me fizeste viver
Detesto tudo que tenha a ver contigo
E detesto não me ter arrependido
Detesto ter-te perdido
Detesto teres fugido por entre os dedos
Detesto amar-te
E ainda hoje sofrer com isso.
Lógica da imagem: Vida virada de pernas para o ar