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«Get tha real feelin'»

sábado, 25 de abril de 2009

Histórias de amor - Concurso literário 09

Embora não tenha ganho nada, o que conta é a intenção e a quem este texto é dirigido e inspirado, Kovu.
Não vou começar esta história por “Era uma vez”, como nos contos de fadas ou até mesmo por “Certo dia” como nas vulgares histórias de encantar a que estava habituada, aquelas que me faziam sonhar, pintar o meu mundo com cores mais coloridas que as do arco-íris e voar para mundos paralelos ao meu, onde me guiava única e exclusivamente pelo coração e pelos pózinhos de purpurina que pareciam dar um brilho especial à minha existência. Porquê? Pois bem, esta história de amor, escrita em linhas tortas e inacabada, trouxe-me sensações completamente opostas às que estava habituada.

Um verde asseguir de um azul, mais cor-de-laranja e um amarelo, completando esta sequência com um vermelho ou até mesmo cor-de-rosa… Eram as cores com que pintava o meu mundo. Apanhava o expresso, o primeiro avião que me levasse a esse mundo tão garrido, onde só entrava quem eu queria, quem me fazia sentir bem, aqueles a quem posso realmente dar o nome de “amigos”. Umas desilusões aqui, umas desilusões ali, mas nada que conseguisse mandar a baixo a barreira que construi à minha volta, aquela que, acontecesse o que acontecesse, não deixava que nada nem ninguém me derrubasse, era a minha força interior. Mas, ao que parece, essa fortaleza não passou de um simples castelo de areia que se desmoronou com a onda tão forte que o atingiu.
Essa onda, bem azulada, vinha cheia de espuma que se propagou e transformou em neblina como num dia de Inverno, em que não se via nada em redor. Procurei, procurei e, finalmente, encontrei duas portas. Hesitei em optar por uma delas, até que derrepente começo a ouvir barulhinhos vindos da direita, bati à porta, e como ninguém respondeu, decidi entrar. Se eu pensava que já conhecia todas as cores brilhantes do meu mundo, esta porta trouxe-me cores ainda mais vivas do que aquelas que já tinha visto. Lá, estava um rapaz, que por fora parecia igual a todos os outros, mas que me mostrou lugares que eu não conhecia, mostrou-me o pôr-do-sol, mostrou-me o luar, mostrou-me que os contos de fadas podiam ser reais, e que podíamos fazer o nosso próprio. Fez-me acreditar e ver coisas em mim que nunca tinha visto, fez-me portanto, sentir coisas que nunca havia sentido. Tudo ao seu lado, me fazia sentir nas nuvens, aquecida com a luz do sol, e ele, era o meu sol, o meu anjo protector, aquele a quem confiei tudo e mais alguma coisa, aquele que não só deixei entrar na minha fortaleza, como também, fazer parte dela. O tempo foi passado e juntos, criamos tanto, demos tanto um ao outro, acreditamos que “para sempre” existia e guiamo-nos pelo sentimento que só por si, falava mais alto que todas as outras coisas. Mas como nem tudo é um conto de fadas, esta história também não poderia ser, pois se “ele” me mostrou novos mundos, se me mostrou o auge da felicidade, também me mostrou a tristeza, a desilusão, o choro dia após dia, a toda a hora. Depressa, essa tua capa vermelha e fato azul que faziam de ti o meu super-homem, desapareceram e isso fez com que me mostrasses algo que nunca tinha visto: O negro, os cinzentos, cores que eu jamais conhecera. A solidão apoderou-se então em mim.
Acordo na praia, cheia de frio, com a sensação de que me falta alguma coisa, mas não sei bem o quê, com a sensação que perdi algo que, na verdade nunca cheguei a ter. Levanto-me, sacudo-me, e olho a diante, fixo o olhar no horizonte e sigo, em direcção ao mar. Custa-me andar, os músculos doem-me tanto que quase parece que nem sinto a areia apesar de saber que a estou a pisar. Chego-me ao mar e faço-lhe imensas perguntas, como “O quê que aconteceu?”, “O que é isto que estou a sentir?”, “Porquê?”, mas nada mais se ouve senão as ondas, para trás e para a frente, nenhuma resposta, nada. Grito, desesperadamente, sinto-me sozinha e sem forças para continuar. Mas porquê? Continuo sem perceber! Ainda ontem estava no meu lugar, a viver como queria e derrepente, devido a um sonho, (o qual transformei em realidade, pensei eu) fiquei sem nada. Quero procurar-te, mas estou perdida e não encontro o teu caminho. Todos os dias bato com a cabeça nas paredes e as perguntas permanecem, respostas? Nem sombra delas.
Um dia, depois desta imensa solidão, vejo uma corda estendida, vinda do céu. Sem nada a perder, agarrei-me a ela e subi, subi, subi, e lá em cima encontrei todos aqueles que faziam parte de mim antes deste “pesadelo” ou “sonho”. Foi então que me apercebi que quem deve estar presente, nunca deixa de estar, por muitas portas que sejam abertas e que nos levem para mundos diferentes daqueles a que estamos habituados. Cheguei com uns centímetros a mais, não em tamanho, mas sim em experiência de vida. Descobri que, por muitos obstáculos que a vida nos possa propor, tais como, pedras, buracos, que hajam no meio do nosso caminho, por muito que as quedas nos magoem e nos deixem cheios de feridas, há sempre algo que nos ajuda a levantar. E se nada dura para sempre, então, o sofrimento não há-de ser excepção.
Eu ontem descobri que posso cair. Hoje, aprendi a levantar-me… E a seguir.

Kiara.

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