Já há algum tempo que tenho vivido na incerteza, no estar e não-estar, entre o saber e não saber, numa balança que nunca mais se equilibra. A minha vida tem sido um relógio, que em vez de horas, marca saudade, angústia, dor, sofrimento, sensação de impotência, fraqueza, e sabe-se lá que mais. Já não sei o que é ser feliz, já não sei se felicidade existe ou não passa de mera ilusão. Duvido de tudo o que me aparece à frente, tento estar no topo, ultrapassar este sentimento que quase não cabe em mim, mas basta um olhar, uma frase, um dia, a coisa mais invulgar, que me faz ir logo abaixo, fico sem forças, estendida no chão sem me conseguir levantar(…)- E da mesma maneira em que a maior onda da maré alta te trouxe a mim…
(…) Por muito que lute, por muito que dê tudo o que tenho e que não tenho, por muito que me entregue, não entendo… Eu fiz tudo, e nem uma opurtunidade de mostrar que juntos conseguíamos, que juntos vencíamos, como sempre o fizemos, nem isso foste capaz de me dar. Preferiste pensar que “não dava”, em vez de tentares, desculpa, mas ninguém tem o puder de prever o futuro, feiticeiros e magos não existem, logo, sem tentares, nunca poderias saber se deu ou se não deu, não tentas-te.(…)
- Levou-te na segunda onda sem se quer deixar o mar acalmar…
(…) Eu? Eu já não sei quem sou, o que é isto em que me tornei por tua causa. O único brilho que conheço hoje é o das lágrimas cintilantes que teimam a cair de dia para dia(…)
- Fiquei em terra, não estou sozinha, sei que não, mas no meio da multidão assim me sinto…
(…) Tu? Tu já não és aquele por quem me apaixonei, aquele por quem pus o orgulho de lado, aquele a quem me entreguei, aquele que idealizou a perfeição, aquele “tudo”, aquele que me fez acreditar que o “para sempre” existia, e que eu podia ser feliz. És uma coisa que eu não reconheço, transformaste-te num ser vulgar que me mete raiva, me faz sofrer e que no fundo, não consigo deixar de amar(…)
- Neste mar, onde a tempestade se instalou, permaneço… Não sei porquê, e o pior… Não sei até quando…
(…) Mas eu não posso não ser eu. Não posso continuar assim. Não vou fracassar embora tudo o que me apetece dizer é “Não consigo continuar”, embora todos os dias me pergunte “porquê” e não ache resposta… Eu sou eu, e por muito que me custe, tenho de lutar contra a minha vontade, a vontade de querer estar contigo incondicionalmente, mas não suporto a dor de estar à espera, não suporto que me magoes e saibas que o estás a fazer e como tal… Por muito que me custe, porque sei que pode ser a coisa mais difícil que vou ter de fazer na vida, mas tenho de me afastar. Este ambiente de batalha naval, as ondas agitadas que têm permanecido metem-me o estômago e sabe-se lá que mais às voltas. Eu preciso de me encontrar, eu preciso de saber quem sou(…)
- E mesmo na incerteza desse tempo, e sabendo da tempestade, arrisco e vou naufragar, como eterna maruja do amor que sinto. Eu vou embarcar nesse mar…
(…) Desistir? Não, isso é para os fracos. Sim, já fracassei, mas desistir dos meus sonhos é coisa que me recuso a fazer. Vou apenas ajudar o tempo na sua decisão, vou ajudar-me a mim e a ti, ambos precisamos de reflectir, e eu sei que se tiver de ser, vamos vencer(…)
- Sem saber a rota, os pontos cardeais hão-de me levar onde o destino quiser, onde tiver de ser. Já estou em mar alto, se um dia tiver de chegar a ti, chegarei, da mesma forma que não estava à espera de cair nos braços da magia que é amar, sei que quando menos esperar, este mar vai acalmar.
(…) Um dia, eu espero.
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